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Jamil Chade

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OMC autoriza EUA a retaliar Europa em valor recorde de US$ 7,5 bi

Jamil Chade

02/10/2019 11h18

 

GENEBRA – Numa disputa que já dura 15 anos, a Organização Mundial do Comércio autorizou nesta quarta-feira o governo dos EUA a aplicar retaliações comerciais no valor de US$ 7,5 bilhões por ano contra a Europa. A decisão foi tomada depois que a entidade constatou que Bruxelas não cumpriu com a sentença dos tribunais do comércio que estipulou que os europeus deram subsídios ilegais para a Airbus.

O valor foi calculado com base no prejuízo que a Boeing teria tido diante da concorrência desleal dos europeus, afetando as vendas e exportações.

A medida, se aplicada, pode aprofundar ainda mais o clima de tensão no comércio mundial. Nesta semana, a OMC anunciou que sua previsão para a expansão das exportações em 2019 é de apenas 1,2%, a menor taxa em dez anos.

A UE indicou que espera que a Casa Branca, diante da decisão, busque o diálogo e que evite uma elevação de barreiras comerciais. Mas Bruxelas alertou que se Washington optar pelo caminho da retaliação, poderá também considerar uma resposta na mesma moeda, o que ampliaria a crise internacional no comércio.

O governo de Donald Trump havia solicitado uma autorização para retaliar os europeus em US$ 10,5 bilhões. Mas a OMC estimou que o valor a ser aplicado era inferior. Mesmo assim, O total da retaliação é o maior já aprovado na história da OMC e faz parte de uma das disputas mais longas da história do comércio internacional.

Agora, Washington poderá transformar essa retaliação em barreiras comerciais ou mesmo na suspensão de concessões no setor de serviços e propriedade intelectual.

O centro do novo capitulo da disputa é a fabricação do Airbus A380 e sua venda para China, Austrália, Coreia e outros mercados. Depois de uma queixa americana, a OMC constatou que a operação de fabricação e venda da Airbus havia sido irregular, por contar com subsídios proibidos.

Na prática, a ajuda dos cofres públicos europeus acabava distorcendo os mercados.

A Airbus, porém, faz a mesma acusação em relação às operações da Boeing e uma decisão sobre a legalidade ou não dos programas americanos deve ser publicada no final de 2019 ou início de 2020.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)