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Jamil Chade

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Indígena brasileiro ganha "Nobel Alternativo" por lutar pela floresta

Jamil Chade

25/09/2019 08h06

GENEBRA – Um dia depois de Jair Bolsonaro levar uma indígena à sede da ONU para provar que está comprometido com a causa, um outro indígena brasileiro foi escolhido entre os ganhadores do Right Livelihood Award de 2019, conhecido popularmente como o "Prêmio Nobel Alternativo" ou como "o Nobel dos Direitos Humanos".

O escolhido foi Davi Kopenawa, que divide o prêmio com a sueca Greta Thunberg. Também receberam a premiação Aminatou Haidar, defensora de direitos humanos no Marrocos, e a chinesa Guo Jianmei.

Kopenawa foi premiado por sua "corajosa determinação dele em proteger as florestas e a biodiversidade da Amazônia, e as terras e a cultura de seus povos indígenas". Ele também divide a honraria com a Hutukara Associação Yanomami, a entidade que ele criou no estado de Roraima.

Em um comunicado, a entidade com sede em Estocolmo indicou que Kopenawa "dedicou sua vida a proteger os direitos dos Yanomami, sua cultura e suas terras na Amazônia".

"Estou muito feliz por receber o prêmio", disse o líder indígena. "Ele chega na hora certa e é uma demonstração de confiança em mim e na Hutukara e em todos aqueles que defendem a floresta e o planeta Terra", afirmou.

"O prêmio me dá a força para continuar a luta pela defesa da alma da floresta amazônica. Nós, os povos do planeta, precisamos preservar nossa herança cultural como Omame [o Criador] ensinou – viver bem cuidando de nossa terra para que as gerações futuras continuem a usá-la", completou.

Em Nova Iorque, Bolsonaro optou por fustigar o cacique Raoní, alertando para a manipulação internacional que estava sendo realizada com sua imagem. Ao trazer uma indígena para a ONU, o presidente brasileiro decretou: "acabou o monopólio de Raoní".

 

 

Traduzido com www.DeepL.com/Translator

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)