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Jamil Chade

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Consulado do Brasil em Zurique amanhece vandalizado

Jamil Chade

23/09/2019 06h31

 

Consulado do Brasil em Zurique foi alvo de ataque nesta madrugada. Foto: Claudio Schmid.

 

GENEBRA – O consulado do Brasil na cidade de Zurique amanheceu pichado de cores vermelhas, às vésperas do encontro mundial na ONU sobre o clima, e com vidros quebrados. Os ataques contra missões e escritórios brasileiros no exterior já se transformaram em uma nova realidade para o Itamaraty.

Há poucas semanas, foi a embaixada do Brasil em Londres que foi alvo de atos de vandalismo. Antes, em Berlim, a embaixada do País já havia sido pichada em duas ocasiões, com frases de ataques a "fascistas". Na Nova Zelândia, um escritório brasileiro também foi alvo de um ato.

Ao UOL, o Itamaraty confirmou há poucas semanas que medidas de segurança tinham sido tomadas em diversos postos pelo mundo, inclusive tendo em vista protestos que foram realizados às vésperas do G7.

Nas redes sociais, o conselheiro cantonal do partido populista suíço SVP, Claudio Schmid, comentou o que viu. "Havia grafite no prédio e no chão, e vidros quebrados estavam espalhados por toda parte", relata Schmid, que publicou as fotos.

Em seus comentários, ele indicou que o ato seria de extremistas de esquerda, que estavam realizando o ataque contra o governo brasileiro.

"Extremismo de esquerda no contexto da histeria climática. Os terroristas da Facção do Exército Vermelho (RAF) começaram com pequenos ataques", escreveu.

Michael Walker, o porta-voz da polícia de Zurique, confirmou. "O ataque aconteceu durante o fim de semana. As investigações estão em curso", disse.

Os comentario dos conselheiro, porém, foram rebatidos por outro parlamentar. Fabian Molina estimou que Schmid "deve parar de promover a justiça vigilante."

 

Consulado do Brasil em Zurique foi alvo de ataque nesta madrugada. Foto: Claudio Schmid.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)