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Jamil Chade

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Câmera flagra líderes internacionais inconformados com Bolsonaro

Jamil Chade

09/09/2019 08h46

Num programa sobre os bastidores do G7 emitido pela rede CNews, Macron, Piñera e Merkel criticam as atitudes do presidente brasileiro.

GENEBRA – Uma câmera que acompanhou os bastidores do G7 ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, flagrou o chefe-de-estado tecendo duras críticas contra o presidente Jair Bolsonaro, acompanhado por outros líderes internacionais igualmente inconformados diante das atitudes do brasileiro.

Num programa que foi ao ar pela rede CNews no fim de semana, Macron conversa com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, sobre o fato de Bolsonaro ter chancelado uma ofensa contra sua mulher, Brigitte Macron.

A cena ocorre durante o almoço do segundo dia das reuniões, depois de uma coletiva de imprensa em que o francês criticou publicamente o brasileiro e disse torcer para que, logo, os brasileiros tenham outro presidente.

Foi Piñera, um dos poucos aliados de Bolsonaro, quem mostrou estar inconformado com o que o brasileiro fez em relação à primeira-dama francesa.

"Foi incrível", disse o chileno.

Macron, respondeu: "Claro, eu tinha de reagir. Você entende?"

"Sim, eu concordo", disse Piñera.

Macron então continuou a conversa. "Eu queria ser pacífico. Queria ser correto, construtivo com o cara (Bolsonaro) e respeitar sua soberania. Tudo bem. Mas eu não poderia aceitar isso", justificou.

"Não!", exclamou a chanceler alemã Angela Merkel que se aproxima e confirma, com a cabeça, a condenação diante dos comentários de Bolsonaro. Quem também está na roda de conversas é Donald Tusk, presidente do Conselho da Europa.

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"Você sabe que, quando meu ministro de Relações Exteriores foi lá?", perguntou a Piñera. "Ele (Bolsonaro) o deveria receber e cancelou no último minuto para ir cortar seu cabelo. E filmou a si mesmo. Desculpa. Mas isso não é a atitude de um presidente", completou.

A crise entre Bolsonaro e Macron começou depois que o francês colocou o tema dos incêndios da Amazônia na agenda do G7 e sugeriu a internacionalização do assunto.

O vídeo, porém, revela o consenso que existiu entre os líderes internacionais ao desaprovar o ato do brasileiro. Bolsonaro, depois dos problemas envolvidos com sua atitude, apagou seus comentários nas redes sociais. E negou que tenha ofendido a primeira-dama.

Mas, há poucos dias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a atacar, afirmando que a mulher de Macron "era feia mesmo".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)