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Jamil Chade

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Informe de relator da ONU denuncia políticas ambientais de Bolsonaro

Jamil Chade

2025-06-20T19:06:12

25/06/2019 06h12

Trump e Bolsonaro se cumprimentam durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington (REUTERS)

 

GENEBRA – Um informe publicado pela relatoria da ONU nesta terça-feira usa as políticas de Jair Bolsonaro como um exemplo das ameaças que o meio ambiente sofre e como lideranças internacionais seria parte do problema.

Philip Alston, o relator da ONU para Extrema Pobreza e Direitos Humanos, alerta que o impacto das mudanças climáticas pode afetar não apenas os direitos à vida, alimentos e água. Mas também pode afetar a própria democracia e o estado de direito.

Como exemplo, ele usa o caso do governo brasileiro. "No Brasil, o presidente Bolsonaro prometeu abrir a floresta amazónica para a mineração, acabar com a demarcação de terras indígenas e enfraquecer agências ambientais e de proteção", disse. Ele também denuncia o governo de Donald Trump e da China.

Bolsonaro seria um dos governos considerados como "míopes" e que tomam medidas "na direção errada". "O tempo está se esgotando", declarou.

Seu informe, que será alvo de um debate na ONU, lança uma advertência que vai além da proteção de florestas ou de espécies raras. O mundo, segundo ele, estaria sob a ameaça de viver um apartheid climático, em que ricos poderão pagar por proteção, enquanto um número significativo da população mundial estaria abandonado ao calor e à fome.

Alston não poupa críticas até mesmo às Nações Unidas, que estaria tomando medidas insuficientes para lidar com a ameaça de tal magnitude. Ele conclui seu informe com uma declaração dura: "os direitos humanos podem não sobreviver".

"Mesmo que as metas ambientais atuais sejam atingidas, dezenas de milhões de pessoas serão empobrecidas, levando ao deslocamento generalizado e à fome", disse Alston.

"A mudança climática ameaça desfazer os últimos 50 anos de progresso no desenvolvimento, saúde global e redução da pobreza", afirmou. "Ela pode empurrar mais de 120 milhões de pessoas para a pobreza até 2030 e terá o impacto mais severo nos países pobres, regiões e lugares onde as pessoas pobres vivem e trabalham", declarou.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)