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Jamil Chade

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Brasil perde espaço entre os principais destinos de investimentos no mundo

Jamil Chade

12/06/2019 18h08

 

GENEBRA – O Brasil perdeu espaço em 2018 no ranking dos principais destinos de investimentos no mundo. Dados publicados pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento revelam que o país terminou o ano passado como o sétimo principal local de investimentos estrangeiros diretos. Em 2017, o Brasil era o sexto colocado.

Em 2018, a economia nacional recebeu um total de US$ 61 bilhões em investimentos, contra US$ 68 bilhões em 2017. A queda no ranking também ocorreu por conta do melhor desempenho da Holanda, que saltou da sétima para a quinta posição. A liderança continua sendo dos EUA, seguida pela China, Hong Kong e Cingapura.

De uma forma geral, 2018 tampouco foi um ano positivo para o fluxo de investimentos. O volume caiu pelo terceiro ano seguido, somando US$ 1,3 trilhão. O montante representa uma retração de 13% em comparação ao ano de 2017.

De acordo com a agência da ONU, a queda é resultado da decisão de multinacionais americanas de aproveitar as reduções em impostos nos EUA para repatriar bilhões de suas filiais pelo mundo.

Nos países ricos, isso significou que o volume de investimentos foi de apenas US$ 557 bilhões, o menor volume desde 2004.

Outro resultado: pela primeira vez, os países em desenvolvimento representam mais da metade do fluxo de investimentos, com 54% do total. Hoje, metade das 20 economias que mais recebem investimentos são emergentes.

Para 2019, as previsões não são das mais otimistas. O impacto da reforma fiscal nos EUA deve perder força, o que poderia levar as empresas a voltar a investir no exterior. Mas, em compensação, a guerra comercial e as tensões geopolíticas podem acabar minando esse fluxo.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)