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Jamil Chade

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Êxodo venezuelano chega a 4 milhões de pessoas e ONU pede dinheiro

Jamil Chade

2007-06-20T19:09:17

07/06/2019 09h17

Venezuela's President Nicolas Maduro attends a meeting with international representatives in support of his government in Caracas, Venezuela February 26, 2019. Picture taken February 26, 2019. Miraflores Palace/Handout via REUTERS ATTENTION EDITORS – THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. ORG XMIT: VEN102

 

GENEBRA – No maior êxodo da história moderna da América Latina, o fluxo de venezuelanos que deixaram o país atinge pela primeira vez a marca de 4 milhões de pessoas. Dados publicados pela ONU nesta sexta-feira em Genebra ainda apontam que a população de refugiados e imigrantes do país sul-americano já é uma das maiores do mundo e não estaria distante de sírios e outras crises.

O que chama a atenção também é o ritmo dessa fuga. Ao final de 2015, existiam 695 mil refugiados e imigrantes venezuelanos pelo mundo. Nos anos seguintes, conforme a crise interna se aprofundava, o número de pessoas cruzando a fronteira também aumentava.

Mas em apenas sete meses, contando a partir de novembro de 2018, mais de um milhão de pessoas deixaram o país. O ritmo ganhou força, principalmente depois da constatação de que o regime de Nicolas Maduro não negociaria uma solução com a oposição.

O maior número de venezuelanos hoje está na Colômbia, que abriga 1,3 milhão de pessoas. Em segundo lugar aparece o Peru, com 768 mil, seguidos por 288 mil no Chile e 263 mil no Equador.

O Brasil aparece apenas na quinta posição entre os principais destinos, com 168 mil pessoas e pouco mais de 10% do que a Colômbia recebeu.

Temor

Para a ONU, um dos temores é de que não há sinal de que esse fluxo perderá força. Até o final de 2019, poderiam já ser mais de 5 milhões de pessoas fora da Venezuela.

Mas outra preocupação da ONU se refere ao impacto que esse volume de pessoas teria na região. Hoje, os governos vizinhos estão com suas fronteiras abertas e tentando dar assistência a todos. Mas se o número for ainda maior, o temor é de que essa realidade seja substituída por uma de xenofobia e até o fechamento das fronteiras.

Para as Nações Unidas, portanto, chegou a hora de a comunidade internacional ajudar, enviando dinheiro para programas da entidade na região e apoiando os governos locais.

"Esses números alarmantes mostram a necessidade de apoiar as comunidades que estão recebendo essas pessoas", declarou Eduardo Stein, o representante das agências da ONU para os refugiados e imigrantes venezuelanos.

Hoje, a ONU alerta que, dos mais de US$ 700 milhões solicitados para cobrir as necessidades dos venezuelanos em 2019, apenas recebeu 21% do dinheiro solicitado da comunidade internacional.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)