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Na Venezuela, 1 em cada 3 crianças já precisa de ajuda humanitária

Jamil Chade

07/06/2019 06h39

Militares venezuelanos impendem a circulação de pessoas e veículos na fronteira com Pacaraima, RR (Ricardo Moraes/Reuters)

 

GENEBRA – 3,2 milhões de criança na Venezuela passam sérias necessidades e precisam ser alvos de um plano de ajuda humanitária. Os dados foram revelados pela Unicef, nesta sexta-feira em Genebra. Segundo a entidade, os problemas afetam uma em cada três crianças venezuelanas.

"Há uma deterioração de acesso à saúde", disse um porta-voz da Unicef, Christophe Boulierac. "As crianças estão pagando o preço dessa crise na Venezuela", lamentou. "Existem 10 milhões de crianças na Venezuela e hoje 3,2 milhões delas precisam de ajuda para ter acesso à saúde, educação ou alimentos", disse.

A Unicef, que encerrou uma missão de três dias pela Venezuela, garante que tem acesso ao país e nem o embargo americano e nem o governo de Nicolas Maduro tem criado obstáculos para seu trabalho. Mas a entidade admite que precisa ampliar a distribuição de ajuda. Desde o início do ano, a Unicef entregou mais de 55 toneladas de materiais para mais de 25 hospitais. Mas a Unicef reconhece que está tocando a superfície do problema e a ajuda precisa ser ampliada nos próximos meses.

Em todos os segmentos humanitários, os dados apontam para uma deterioração da situação. Entre 2013 e 2017, por exemplo, o número de crianças não escolarizados dobrou, passando de 224 mil para 440 mil. Já o número de adolescentes fora das escolas passou de 115 mil para 300 mil nesse mesmo período.

De acordo com os dados, a mortalidade de crianças abaixo de cinco anos aumentou em mais de 50% entre 2011 e 2017. No início da década, eram 14 mortes para mil nascimentos. Em 2017, esses dados apontam para 31 mortes para mil nascimentos.

Existem ainda 190 casos de difteria e mais de 550 casos de sarampo. Outra constatação é a explosão da malária. Segundo a Unicef, o país era "um modelo" no combate à doença. Mas hoje se transformou no maior problema para a região. Os casos, apenas entre 2016 e 2017, aumentaram em 70%.

Já as mortes passaram de 54 casos em 2011 para 456 em 2017.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)

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