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Jamil Chade

Brasil tem maior número absoluto de homicídio do mundo, diz OMS

Jamil Chade

04/04/2019 16h38

GENEBRA – Com 64,9 mil homicídios registrados, o Brasil é o país com o maior número absoluto de assassinatos. Os dados são da Organização Mundial da Saúde que, nesta quinta-feira, publicou seu novo levantamento sobre as estatísticas globais referentes à mais de uma dezena de indicadores sobre a saúde do planeta.

Os dados ainda se referem a 2016 por ser o último ano em que a OMS conta com todos os dados de seus 190 países, permitindo assim uma comparação e um raio-x completo de regiões inteiras.

No que se refere aos homicídios, a posição de liderança brasileira é seguida pela Índia, com 54 mil casos registrados. Em números absolutos, o terceiro lugar é do México, com 21,5 mil mortos, seguido pelos EUA, com 21 mil.

A quinta posição é ocupada por outro país latino-americano. Na Colômbia, 20,9 mil pessoas foram assassinadas em 2016, contra 18,5 mil na África do Sul e no Paquistão.

A listados dez lugares com maior número de homicídios é completado por Nigéria, Rússia e Venezuela, com 15,5 mil.

Em termos percentuais e em comparação ao total da população, o Brasil também aparece entre os líderes. Mas ocupa "apenas" a nona posição como país mais perigoso do mundo.

No País, foram 31,3 mortes para cada cem mil pessoas em 2016, taxa que pouco mudou desde o ano 2000. A taxa é três vezes maior que a média mundial, de cerca de 10 mortes para cada cem mil pessoas. Hoje, os índices brasileiros são inferiores aos dados registrados na África do Sul ou Lesoto.

Mas o que os números da OMS revelam ainda é que, dos dez lugares mais violentos do mundo, oito estão na América Latina e Caribe.

A liderança global é de Honduras, com 55,5 mortos para cada cem mil pessoas. O segundo lugar é da Venezuela, com 49,2. El Salvador aparece na terceira posição, com 46 homicídios para cada cem mil pessoas. Colômbia, Trinidad e Tobago e Jamaica completam a lista dos seis primeiros. Além do Brasil na nona posição, a classificação é completada por Bahamas, na décima colocação.

De acordo com as estatísticas, a taxa de homicídios é uma das explicações sobre o fato de que mulheres vivem mais que os homens. Em grande parte dos países com elevadas taxas de assassinatos, são os homens que mais são visados.

No Brasil, a taxa foi de 57,8 homicídios para cada cem mil homens em 2016. Entre as mulheres, a proporção foi de apenas 5,6.

Apesar de ter números absolutos elevados, a taxa de homicídios na Índia é de apenas 4,1 para cada cem mil pessoas. Nos EUA, essa taxa é de 6,5.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)