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Por Copa do Brasil, Teixeira recebeu quase R$ 4 milhões em Andorra

Jamil Chade

25/02/2019 04h44

Começa nesta segunda-feira o julgamento de Sandro Rosell, acusado na Espanha por ter promovido lavagem de dinheiro para beneficiar Ricardo Teixeira. De acordo com investigação, o ex-presidente da CBF é suspeito de ter recebido propinas no exterior

 

GENEBRA – O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é denunciado por investigadores espanhóis por ter usado contas no exterior para receber pagamentos ilícitos relacionados com a Copa do Brasil.

Os dados fazem parte dos documentos de acusação obtidos pelo blog e que, nesta segunda-feira, serão apresentados em Madri na abertura do processo contra o ex-presidente do Barcelona e parceiro comercial de Teixeira, Sandro Rosell.

Em 2013, eu revelei como um acordo secreto entre Rosell, CBF e a empresa que mantinha os direitos sobre os jogos do Brasil – a ISE – rendeu ao cartola 8,4 milhões de euros. Oficialmente, o pagamento feito pela ISE aos cartolas era por conta da ajuda que o catalão prestou por fechar contratos para a CBF para a organização dos jogos.

Mas o Ministério Público da Espanha não tem a mesma opinião e o acusa de ter promovido um desvio de recursos e lavagem de dinheiro, em cada um desses amistosos. A acusação também é de que o dinheiro, em parte, acabaria com o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em contas secretas. O brasileiro, segundo a investigação, chegou a ter um cartão de crédito "platinum" que dava acesso a esse dinheiro.

A investigação, porém, não se limitou aos amistosos. Numa conta que tem Teixeira como beneficiário em Andorra, os procuradores descobriram um pagamento de US$ 1 milhão em 23 de setembro de 2011. O dinheiro vinha da empresa Exterpise Travel, que por sua vez recebeu os recursos da Klefer, companhia formada por Kleber Leite.

"Essa operação poderia estar vinculada aos valores ilicitamente recebidos por Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, no marco do contrato assinado em 2011 entre a Klefer e a CBF, para a obtenção dos direitos de difusão e marketing da Copa do Brasil de 2013", indicou o processo espanhol.

"Na mesma, estariam implicados os irmãos Claudio e Wagner Abrahão, sendo essa matéria própria da investigação efetuada nas diligências prévias No. 8000150/2015 da Seção de Instrução Especializada do Principado de Andorra", completa.

A conta que se beneficiou do depósito está em nome da empresa Itasca, registrada no Panamá e com conta em Andorra, no banco Andbank. Teixeira aparece na documentação como um dos dois beneficiários da conta.

Ao longo dos anos, Teixeira declarou em diversas ocasiões à imprensa ser inocente. Rosell, em sua defesa, insiste que os valores recebidos são comissões por trabalhos efetuados para a CBF.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)

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