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ONU: Fechar fronteira com Brasil eleva risco de violência contra refugiados

Jamil Chade

22/02/2019 11h30

A ONU alerta que o fechamento da fronteira com o Brasil por parte de Nicolas Maduro pode aumentar os riscos de violência em relação aos refugiados e imigrantes e pede que as pessoas que precisam de proteção tenham a possibilidade de solicita-la.

"Muitos que deixam a Venezuela precisam de proteção", declarou Andrej Mahecic, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados. "É importante que essas pessoas possam pedir proteção", insistiu.

De acordo com ele, a "experiência mostra que aqueles que tentam sair podem buscar rotas perigosas", inclusive com a participação de traficantes e vulneráveis à exploração. Para a ONU, existe o "risco de violência" em relação a essas pessoas. Mas o porta-voz não deu detalhes sobre o diálogo com o governo Maduro para garantir que esse grupo seja atendido.

O êxodo venezuelano ganha força e, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, o fluxo atinge 3,4 milhões de pessoas que deixaram o país. As informações foram publicadas em Genebra pela ONU e suas agências especializadas. Em dezembro, a estimativa era de que existiam 3,3 milhões de venezuelanos

Desse total, 2,7 milhões de venezuelanos estão vivendo na América Latina e, em 2018, mais de 5 mil pessoas deixaram em média o país a cada dia "na busca por proteção ou por uma vida melhor".

De acordo com o novo levantamento, a Colômbia é o principal destino dos venezuelanos, com 1,1 milhão de migrantes e refugiados. No Peru, são mais 506 mil, 288 mil no Chile, 221 mil no Equador, 130 mil na Argentina e 96 mil no Brasil.

México e outros países da América Central também estão recebendo um número importante de refugiados e migrantes.

"Os países da região tem mostrado uma enorme solidariedade. Mas esses dados revelam a pressão sobre as comunidades e a necessidade de que a comunidade preste apoio num momento em que a atenção mundial está voltada para os acontecimentos políticos dentro da Venezuela", indicou Eduardo Stein, representante especial das agências da ONU para a Venezuela.

No total, os países latino-americanos entregaram 1,3 milhão de vistos de residência e outras autorizações aos venezuelanos. Desde 2014, 390 mil venezuelanos solicitaram o status de refugiado. 232 mil apenas no ano de 2018.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)

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