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Jamil Chade

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“Sério?”, pergunta Infantino sobre o calendário da CBF

Jamil Chade

04/10/2019 14h00

Gianni Infantino, presidente da Fifa, participa de evento na sede da OMS nesta sexta-feira, em Genebra. Foto: Jamil Chade

 

GENEBRA – A experiência do presidente da Fifa, Gianni Infantino, na administração do futebol permite que ele dissimule com muita habilidade suas reações, nas mais diferentes situações. Mas quando a reportagem do UOL o questionou sobre o calendário do futebol brasileiro para 2020 e o fato de jogos do Brasileirão terem sido programados durante a Copa América do ano que vem, o suíço não conseguiu deixar de mostrar sua surpresa nesta sexta-feira.

"Sério?", questionou. "Não?!", duvidou. "No meio da competição?", voltou a perguntar.

Na quinta-feira, a cúpula da CBF apresentou o calendário para o futebol nacional em 2020. Nele, estão previstas que nove rodadas do Brasileirão sejam disputadas durante a realização da Copa América, o principal torneio de seleções do continente e terceira maior competição do futebol internacional depois da Copa do Mundo e da Eurocopa. Se contar o período de preparação das seleções, dez rodadas poderiam ser afetadas.

A Copa América começa no dia 12 de junho de 2020 e termina apenas no dia 12 de julho. Todas as quatro divisões do campeonato brasileiro serão mantidas neste período. No caso da Série A, de um total de 38 rodadas, quase 25% delas ocorrerão durante a competição oficial da Conmebol.

Claramente surpreendido, Infantino voltou a um de seus principais pontos na gestão do futebol internacional. "Temos de olhar ao calendário de jogos, inclusive no Brasil", defendeu o dirigente, após um evento na sede da Organização Mundial da Saúde.

Infantino deixou claro que não existem regras que evitem tais situações. Mas constatou que os clubes brasileiro terão de ceder seus jogadores, já que a Copa América será disputada em um período de datas oficiais. "É uma competição oficial e os jogadores terão de ser liberados", disse.

"É uma pena", lamentou. "Trata-se do campeonato nacional mais importante da América do Sul", insistiu.

A Copa América de 2020 não estava na agenda oficial de torneios da Fifa. Mas, por insistência da Conmebol, a competição foi aceita no calendário internacional, depois de uma reunião em Kigali em meados de 2018.

Se a CBF não conseguiu evitar a Copa América, a entidade estabeleceu um calendário em que nenhum torneio seja realizado durante as "datas Fifa", dez delas espalhadas pelo ano.

No calendário divulgado pela CBF, ainda existem diversas datas de Eliminatórias com jogos da Série A com poucos dias de intervalo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)