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Jamil Chade

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“Stop Bolsonaro”: o recado no mural da ONU

Jamil Chade

26/09/2019 16h27

 

GENEBRA – Na semana em que o mundo conheceu a nova política externa do "novo Brasil" de Jair Bolsonaro, um mural dentro da ONU amanheceu hoje com um recado: "Stop Bolsonaro" (Pare Bolsonaro).

Em Genebra, um espaço foi dedicado para que funcionários, diplomatas e visitantes deixem suas frases em prol do meio ambiente. A campanha faz parte de uma iniciativa das Nações Unidas para apelar para que cidadãos não esperem por seus governos e que "atuem agora" pelo clima.

Mas, no mural do "Act Now" em Genebra, pelo menos três lugares diferentes foram marcados com um recado ao presidente do Brasil. O nome de Bolsonaro era o único mencionado entre os presidentes e chefes de governo, em meio a dezenas de mensagens deixadas.

Num outro canto, um pedido em espanhol: "Salvemos la Amazonia". Em outros pontos do mesmo mural, desenhos de bicicletas, árvores e apelos pela reciclagem. Também há mensagens sobre a situação no Irã, sobre a violência na fronteira entre Paquistão e Índia, sobre o uso de energia e recados em diversas línguas.

Entre as medidas que a ONU promove em sua campanha pelo clima estão ações para uma alimentação sustentável, alertando que "o que comemos tem importante implicação para as mudanças climáticas".

A campanha também pede que o consumo de roupas seja consciente e reciclar peças antigas ou doar. Na ONU, também se incentiva caminhar mais, desligar aparelhos das tomadas, consumir produtos locais, reduzir o consumo de carne e abandonar bolsas de plástico.

Na ONU nesta semana, porém, Bolsonaro não participou da cúpula do Clima. Mas usou seu discurso para defender "a nossa Amazônia" e dizer que ela estava "praticamente intocada".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)