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Jamil Chade

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Incêndio na Amazônia é ameaça à saúde humana, alerta OMS

Jamil Chade

23/08/2019 10h31

 

Reunião da OMS, em Genebra. Jamil Chade. Maio 2019

 

GENEBRA – Os incêndios que afetam a floresta Amazônica não devem ser vistos apenas como um risco para o futuro do planeta. O alerta da Organização Mundial da Saúde é de que esses incidentes representam uma ameaça real e imediata à saúde humana.

Em entrevista ao UOL, a diretora da OMS para Saúde Pública e Meio Ambiente, Maria Neira, insistiu que governos em todo o mundo precisam agir de forma rápida para lidar com essas situações.

"A contaminação do ar já mata 7 milhões de pessoas ao ano", disse. Uma de cada nove mortes ao ano é gerada pela poluição do ar e, segundo o Banco Mundial, a perda de vidas e de anos saudáveis poderia chegar a US$ 5 trilhões.

"Esses incêndios, no Brasil e em outros países, representam um problema para a saúde", alertou. Segundo ela, os estudos têm verificado que a fumaça produzida nessas regiões tem uma capacidade de se deslocar com velocidade e por vastas extensões de terra.

"Essa capacidade de se deslocar significa que terminam nos pulmões das pessoas", indicou.

Maria Neira não nega que preservar a floresta deva ser uma prioridade. Com 20% do oxigênio, a Amazônia é considerada como fundamental no ecossistema global. A diretora da OMS também aponta para a questão da biodiversidade. "Cada vez que temos um incêndio, essa biodiversidade é perdida", disse.

Mas seu alerta é sobre as populações afetadas pelas fumaças. "Essa deve ser também nossa preocupação. Claro, quanto mais perto do incêndio, maior será o impacto sobre populações em centros urbanos. Mas também sabemos que essa fumaça viaja longe", disse.

"Temos de lutar contra os incêndios por muitas razões. Pelo patrimônio de populações locais e biodiversidade. Mas, acima de tudo, para proteger a vida", insistiu.

Segundo Neira, o que ocorre hoje terá muitas consequências "no curto, médio e longo prazo". Por isso, ele pede medidas "rápidas e imediatas"

Política

A diretora da OMS ainda pede que o debate sobre o impacto das queimadas deixe de ser um assunto político e passe a ser tratado como uma questão de saúde. "Temos de despolitizar o assunto. Não é uma questão política. Não é de extrema-direita ou de extrema-esquerda. É um assunto de proteção de saúde", disse.

"Não podemos apenas pensar em nossos futuros e nas futuras gerações. Não podemos apenas falar dos pulmões do planeta. Precisamos proteger nossos pulmões também", disse.

Em sua avaliação, as queimadas não serão um problema apenas para as sociedades em várias décadas. "A nossa geração também vai sofrer", completou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)