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Jamil Chade

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Em vistoria, brasileiro denuncia centros de detenções de imigrantes nos EUA

Jamil Chade

22/08/2019 04h00

Paulo Abrão visita fronteira Sul dos EUA. Divulgação CIDH

 

GENEBRA – "O que se vive é uma criminalização do direito humano de migrar". O alerta é do secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o brasileiro Paulo Abrão. Ele realiza nesta semana uma missão pela fronteira sul dos EUA, percorrendo até mesmo os locais por onde o muro erguido pelo governo americano já é uma realidade.

Ao UOL, Abrão descreveu o que viu. "Os centros de detenção estão equiparando o tratamento aos migrantes com o dos criminosos comuns", disse.

"Os padrões internacionais não estão sendo cumpridos e tampouco o devido processo para a solicitação de asilo está sendo respeitado", alertou o brasileiro que já foi o presidente da Comissão de Anistia do Brasil e secretário Nacional de Justiça.

"Recebemos muitas denúncias de graves abusos. Estamos preparando um informe para ser apresentado ao Conselho Permanente da OEA", prometeu.

A missão da CICH começou na segunda-feira, com o objetivo de avaliar a situação de direitos humanos de imigrantes que buscam entrar nos EUA. A viagem incluir as cidades de San Diego e Laredo.

Além de Abrão, a missão conta com os relatores Esmeralda Arosemena de Troitiño, Luis Ernesto Vargas Silva, Margarette May Macaulay e María Claudia Pulido. Até a sexta-feira, o grupo se reunirá com organizações da sociedade civil, com migrantes, solicitantes de asilo, refugiados e outros atores relevantes na região.

A visita ocorre no marco do mandato dado pela OEA para a Comissão Interamericana, que é o de avaliar as consequências das políticas migratórias do governo de Donald Trump.

Mas a missão ocorre no momento em que a Casa Branca anuncia que, em outubro, entrarão em vigor novas medidas do governo Trump para impedir ainda mais o fluxo de migrantes.

 

 

"O objetivo da visita é monitorar a situação dos direitos humanos em relação às condições de acolhimento na fronteira, acesso aos procedimentos de asilo e proteção internacional, condições de detenção migratória e práticas associadas, migração e procedimentos de asilo, bem como garantias processuais e proteção judicial, com especial ênfase nos princípios da unidade familiar e dos melhores interesses da criança", explicou a CIDH, num comunicado.

A crise na fronteira entre os Estados Unidos e o México gerou tensão entre os dois governos e levou grupos de direitos humanos a denunciar o tratamento que os migrantes estariam recebendo. Os ataques recebidos pela estratégia de Trump tem sido ignorados na Casa Branca, determinada a dificultar ainda mais o fluxo de pessoas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)