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Jamil Chade

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Aumenta desigualdade de renda do trabalhador no Brasil

Jamil Chade

04/07/2019 07h00

No mundo, dados da OIT apontam que camada mais pobre teria de trabalhar 300 anos para ter mesma renda obtida pela camada mais rica, em apenas um ano.
GENEBRA – Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho revelam que o Brasil registrou uma nova alta na desigualdade de renda do trabalhador.

Em 2015, a parcela dos 50% mais pobres ficou com 18,3% de toda a renda dos trabalhadores. Em 2016, essa taxa caiu para 18,13% e, em 2017, chegou a 17,9%.

Do outro lado da estrutura social do país, os dados apontam que a parcela dos 20% mais ricos entre os trabalhadores ficaram com 56,37% dos salários do país em 2015. Em 2016, essa participou aumentou para 56,48% e, em 2017, chegou a 56,81%.

No topo da pirâmide, a camada de 10% mais rica dos trabalhadores ficou com 41,3% da renda em 2017. Em 2016, essa taxa era de 40,9 %.

Os dados de 2017 publicados pela OIT representam uma inversão na tendência que se registrava desde 2004. Há 15 anos, a parcela mais rica dos trabalhadores ficava com 47,7% da renda no país. Em 2016, essa participação caiu para 40,9%.

Na camada mais pobre, a participação na renda dos trabalhadores passou de 0,49% em 2004 para 1,1% em 2016. Mas perdeu espaço, para 1,04%

Séculos

A concentração brasileira, porém, não é um caso isolado. De acordo com os dados da OIT, essa é uma realidade global, apesar de avanços na China e Índia.

Em 2017, um trabalhador da camada dos 10% mais ricos tinha um salário médio no mundo de US$ 7,4 mil por mês. Sozinhos, eles ficavam com 48,9% da renda mundial.

Já os trabalhadores da camada mais pobre recebem o equivalente a apenas US$ 22,00 por mês. Se somados a camada dos 20% dos trabalhadores mais pobres – cerca de 650 milhões de pessoas – sua renda seria de cerca de 1% de toda renda de salários no mundo.

Considerando metade dos trabalhadores do mundo, a renda média é de apenas US$ 198,00 por mês.

Os números levaram a OIT a fazer uma constatação sombria. De acordo com Roger Gomis, economista da OIT, uma pessoa da camada mais pobre do mundo teria de trabalhar por mais de três séculos para obter uma renda equivalente ao salário anual dos 10% mais ricos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)