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Jamil Chade

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MPF diz que Tacla Duran é doleiro e criminoso confesso

Jamil Chade

2018-06-20T19:18:19

18/06/2019 18h19

Em nota, força-tarefa repudia ataque "mentiroso de criminoso foragido contra a Lava Jato e a Justiça". Comunicado não cita o fato de a Interpol ter retirado o alerta vermelho contra o suspeito
GENEBRA – O Ministério Público Federal no Paraná emitiu um comunicado nesta terça-feira em que "repudia veementemente os ataques à Lava Jato e à Justiça brasileira" e contesta as alegações de Rodrigo Tacla Duran. Em entrevista ao UOL, ele alega que foi extorquido pelo advogado Marlus Arns para não ser preso na operação.

"A matéria se baseia em reiteradas mentiras do criminoso foragido e multidenunciado, que periodicamente são renovadas", diz a força-tarefa.

O MPF lembra que "o criminoso já havia feito acusação falsa semelhante contra a operação Lava Jato e a Justiça brasileira em 2017, por meio de videoconferência na CPMI da JBS". "Com base nessas falsas acusações, três deputados federais protocolaram representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apuração da conduta de integrantes da força-tarefa da Lava Jato, a qual foi processada e arquivada, haja vista a absoluta improcedência da acusação, não configurando infração penal, civil ou administrativa", indicou.

Segundo os procuradores, Rodrigo Tacla Duran responde no Brasil a "quatro ações penais por lavagem de dinheiro multimilionária, em que diversos colaboradores, como executivos das construtoras UTC e Odebrecht, expressamente afirmam que ele foi o autor da lavagem de centenas de milhões de reais". "Tais fatos já mostram por si só o total descabimento da reiterada alegação de extorsão para evitar que fosse preso. Os fatos são públicos e demonstram exatamente o contrário", diz.

A força-tarefa também esclarece que "a reportagem está equivocada quando afirma que Rodrigo Tacla Duran vive em liberdade na Espanha e que foi advogado da Odebrecht". Ela não cita, porém, a decisão da Interpol de suspender o alerta vermelho que existia sobre o brasileiro.

"As inúmeras provas mostram que ele atuou, sim, como operador financeiro, como 'doleiro', e não como advogado. Tanto que o próprio Rodrigo Tacla Duran confessou expressamente a prática de crimes perante autoridades espanholas, admitindo ter realizado operações de lavagem de dinheiro para a Odebrecht", indicou.

De acordo com os procuradores, "ele responde por seus crimes também na Espanha, onde não vive em plena liberdade". "O informante da notícia é um criminoso confesso, que busca, por meio de ofensas e ilações descabidas, ver-se livre de acusações no território brasileiro", diz.

"Houvesse a devida diligência por parte do jornalista, teria sido indagado a Tacla Duran a respeito da confissão de seus crimes", afirma.

A força-tarefa ainda apresenta uma lista de seus atos, tal como a reportagem original apresentou. Em nenhum momento, contudo, o texto apresenta Tacla Duran como inocente.

"Como confessado por ele mesmo, Tacla Duran atuou como grande operador financeiro, cometendo diversos crimes de lavagem de dinheiro transnacional. Tal fato pode ser confirmado pelas diversas provas documentais juntadas pelo Ministério Público Federal na ação Penal nº 5054787-95.2017.4.04.7000, como: (a) declaração firmada pela Odebrecht no sentido de que "para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos lançou mão aos serviços prestados por Rodrigo Tacla Duran, o qual se encarregava de receber recursos ilíticos da ODEBRECHT no exterior, por meio de contas abertas em nome de offshores, e repassá-los, no Brasil e no exterior, aos seus destinatários"; (b) e-mail remetido por Rodrigo Tacla Duran a executivos da Odebrecht em que expressamente admite que "Operei com vocês + de USD$ 300.000.000,00 e acredito eu que nunca trouxe problemas ou aborrecimento de qualquer natureza a vocês".

Os procuradores ainda apontam que a "reportagem, sem confirmação dos fatos, ainda omite que a extradição de Rodrigo Tacla Duran foi, em realidade, inicialmente deferida pela Espanha, somente não se concretizando em virtude de o Estado brasileiro não garantir a reciprocidade no tocante a extradição de nacionais". Essa informação, porém, consta da matéria, justamente num trecho da resposta dos procuradores brasileiros ao caso.

"A força-tarefa da Lava Jato lamenta que seja conferido espaço jornalístico para que sejam promovidas acusações absolutamente infundadas, com o objetivo de atacar a operação Lava Jato e a Justiça brasileira para lançar máculas sobre seu julgamento no Brasil e assim alcançar impunidade no exterior", completa.

Sobre o autor

Com viagens a mais de 70 países, Jamil Chade percorreu trilhas e cruzou fronteiras com refugiados e imigrantes, visitou acampamentos da ONU na África e no Oriente Médio e entrevistou heróis e criminosos de guerra.Correspondente na Europa há duas décadas, Chade entrou na lista dos 50 jornalistas mais admirados do Brasil (Jornalistas&Cia e Maxpress) em 2015 e foi eleito melhor correspondente brasileiro no exterior em duas ocasiões (Prêmio Comunique-se). De seu escritório dentro da sede das Nações Unidas, em Genebra, acompanhou algumas das principais negociações de paz do atual século e percorre diariamente corredores que são verdadeiras testemunhas da história. Em sua trajetória, viajou com dois papas, revelou escândalos de corrupção no esporte, acompanhou o secretário-geral da ONU pela África e cobriu quatro Copas do Mundo. O jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparencia Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti.

Sobre o blog

Afinal, onde começam os Direitos Humanos? Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quinta ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar. Sem a ação organizada do cidadão para defender esses direitos perto de casa, nós procuraremos em vão pelo progresso no mundo maior. (Eleanor Roosevelt)